Muito se tem falado nos últimos meses sobre este tópico, não só no Brasil como também em países afora, onde, como aqui, a Cirurgia Plástica é uma das especialidades médicas que mais cresce e experimenta seu melhor momento.
Em países como os Estados Unidos e Inglaterra tem sido empregado um termo que especifica o conjunto de cirurgias utilizadas para apagar as marcas deixadas pela gravidez. Frequentemente denominado “mommy makeover” ou “mommy job”, o assunto pode gerar conflitos, dúvidas às pacientes e polêmica quando não bem conduzido.
Alguns pontos devem ser ressaltados primeiramente para que haja um bom e sensato entendimento da questão.
Realmente o corpo da mulher passa por algumas modificações após a gestação, sendo que algumas delas são permanentes. É então onde o cirurgião plástico pode colaborar através de uma ou mais cirurgias dependendo dos graus de alterações que restaram da(s) gestação(ões).
As alterações mais comuns são na área abdominal, com gordura localizada, flacidez, estrias e muitas vezes uma cicatriz inestética decorrente de parto cesareano. As mamas e a cintura também experimentam mudanças.
Durante o período da gravidez, o organismo materno precisa se adaptar para proporcionar condições adequadas de desenvolvimento e crescimento do bebê dentro do útero.
Com as adaptações, o ganho de peso é um fator necessário à condição gravídica, porém indesejado no período tardio após a gestação.
Na região do abdome, a alteração causada pelo rápido e progressivo aumento do volume uterino submete a musculatura abdominal a um importante estiramento que pode acarretar conseqüente flacidez e afastamento de suas fibras e, na pele, provocar também flacidez, assim como estrias. Na verdade, cada organismo possui uma predisposição diferente para desenvolver flacidez e estrias. As pacientes com peles mais claras tendem a experimentar maior grau de flacidez, por exemplo.
Na região das mamas, que uma vez com formas torneadas e firmes em sua consistência, sofrem uma involução após as amamentações, podendo diminuir seu volume e sua firmeza, determinando flacidez, por vezes estrias e conseqüente ptose, termo técnico empregado para “mamas caídas”. Mesmo pacientes com mamas pequenas antes da gravidez podem passar por este processo. Inclusive as aréolas das mamas tornam-se mais escurecidas e tendem até a aumentar seu tamanho.
Na região lateral do abdome e do dorso, logo acima do quadril, há também um depósito de gordura ("pneuzinhos") que podem permanecer após a gravidez e até mesmo com exercícios físicos são difíceis de reduzirem. Ao ganhar peso é o primeiro lugar a engordar e ao se perder peso é o último a emagrecer.
Portanto, um fato é o corpo passar por mudanças ao longo dos anos e outro é experimentá-las em apenas nove meses!
Por isso é importantíssimo uma gravidez programada e desejada! Caso contrário, as marcas deixadas pela gestação tendem a serem maiores e permanentes.
Exemplo: quando a mamãe não tem uma dieta adequada, não pratica atividade física regular e saudável que proporciona tonicidade e resistência maior aos músculos e vitalidade à pele, não consegue observar as orientações nutricionais durante a gravidez, em que engordar um quilo por mês é a regra principal, a recuperação da silhueta no pós-parto tende a ser um alvo distante e o corpo acaba acumulando os sinais da gestação!
Para a área abdominal, geralmente a lipoaspiração isolada é suficiente para a paciente que engordou pouco, entre sete e oito quilos, tem pele bem firme e é magra. A mini - abdominoplastia ou a abdominoplastia pode estar indicada para a paciente que teve um ou mais filhos e possui flacidez tanto nos músculos quanto na pele e ainda excesso de gordura.
Tanto na mini como na abdominoplastia são tratados os músculos abdominais e o excedente cutâneo através de um acesso ao nível do púbis e cicatriz de acordo com maior ou menor excesso de pele e gordura. Para casos selecionados pode-se indicar a lipoaspiração em conjunto com a cirurgia do abdome (lipoabdominoplastia) que proporciona um resultado mais exuberante.
Para as mamas que passaram por alterações após a gravidez, também dependendo do grau da alteração, estará indicada: a mamoplastia de aumento (prótese de mama) quando não há muita flacidez; a mastopexia, que é a suspensão das mamas e a retirada da pele flácida e em excesso quando há uma “queda” da mama ou então a combinação das duas cirurgias ao mesmo tempo (implante da prótese e mastopexia) quando além da “queda” há pouco volume mamário.
Para a região lateral do abdome e da parte baixa das costas e cintura que apresentam um acúmulo de gordura, geralmente está indicada a lipoaspiração apenas, lembrando sempre que a eliminação de parte da gordura não irá tratar as alterações da pele como flacidez e estrias.
Dependendo de cada caso, todas as cirurgias podem ser associadas, ou seja, é possível de uma vez recuperar as mamas, o abdome e o contorno da região da cintura, sendo essa associação umas das cirurgias mais comuns no exercício da Cirurgia Plástica. Sempre respeitando as limitações de cada caso!
Portanto, quando muito bem indicados e conduzidos, nada têm de errado o conjunto de cirurgias denominados “mommy makeover” ou “mommy job”.
Para concluir, mesmo com todas estas alterações, o organismo feminino foi criado por Deus para gerar e está preparado para tal. A gravidez proporciona um sentimento único para a mulher e ela sente no corpo a plenitude de sua feminilidade.
A gravidez não é e jamais será algo que transforma em patologia o corpo pós-parto caracterizando gestação e parto como enfermidades com efeitos desfigurantes.
A mulher moderna tem hoje importante projeção social, deseja ter boa imagem pessoal e possui recursos específicos para tal, dentre os quais inclui a Cirurgia Plástica.
Para esclarecer as dúvidas sobre a intervenção mais indicada para seu caso, não há nada melhor que uma boa conversa e consulta com o Cirurgião Plástico.
Dr. Flávio Quinalha Gomes.
Cirurgião Plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
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